terça-feira, 18 de outubro de 2011


Entre 2001 e 2009, uma dura luta foi travada em Brasília e outros estados, nos bastidores políticos, para provar a fácil identificação do corpo do guerrilheiro Bergson Gurjão Farias, enterrado em público, no início de junho de 1972, no Cemitério de Xambioá (TO).
Exumado em 1996, por antropólogos argentinos, seu corpo de quase 1.90m, jazia numa caixa de papelão há 13 anos, em dependências da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, por puro descaso - ou segundas intenções? - da área de direitos humanos, formada em parte, por ex-ativistas e atuais ativistas autointitulados de "esquerda". 
Em 2009, 2010 e início de 2011, novas informações sobre a Guerrilha do Araguaia vieram à luz, durante pesquisa para o cumprimento de sentença judicial,  sob responsabilidade do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), do Ministério da Defesa do Brasil. 
Em junho de 2011, a remodelação do GTT para Grupo de Trabalho Araguaia e a inserção, em sua coordenação, dos ministérios da Justiça e da Secretaria de Direitos Humanos, excluiu a participação de pesquisadores - jornalistas - convidados.
É importante lembrar, e destacar: o conhecimento e os desdobramentos das informações sobre a única guerrilha rural da década de 1970,  travada pelas Forças Guerrilheiras do Araguaia (Foguera) e Forças Legais, teve - e ainda tem - fundamental contribuição de jornalistas e veículos de imprensa do país.
Como os de Bergson, identificado em julho de 2009, sem a análise de legistas e sem a necessária participação de peritos para sua legitimidade - chamada no meio jurídico de cadeia de custódia - outros restos mortais estão no poder da Capital aguardando a boa vontade dos interesses políticos. 
O estudo e a luta para esses esclarecimentos não podem, entretanto, responsabilizar, no momento, governos ou autoridades, porque esses repassaram - terceirizaram - suas responsabilidades aos que se dizem militantes de DH. 
Com o blogue, queremos, por essas, entre tantas outras razões, socializar o que aprendemos. Contar um pouco da vivência entre companheiros que ali, e em outros lugares, tombaram acreditando na evolução do caráter nacional.

Ficamos animados ao ver novamente os meninos gritando nas ruas do mundo. Então, lembramos Maiakovski:

 "Qual uma peliça
  o tempo é também roído
  por vermes cotidianos.
  As vestes poeirentas
  de nossos dias
  cabe a ti,
  juventude (konsomol),
  sacudi-las!"

Assim, queremos lembrar os que sacudiram o mundo há quarenta anos, dialogando com os que, hoje, buscam sacudi-lo novamente - os jovens.

Dedicamos nossas linhas  à população da tríplice divisa dos estados do Tocantins, Maranhão e Pará, aos guerrilheiros, em especial, à Lúcia Maria de Souza, a Sonia, João Carlos Haas Sobrinho, o Juca, mortos em combate em 25 de outubro de 1973 e 30 de setembro de 1972, e à Walkíria Afonso Costa, última guerrilheira a ser aprisionada. 
Executada na Base Militar de Xambioá em 25 de outubro de 1974, todas as informações até aqui levantadas sobre a covardia que atingiu Walk, cerca de 23 guerrilheiros e mais de vinte moradores, mortos ou “desaparecidos” após a prisão, são geralmente ignoradas ou  desviadas para outros assuntos.
Junto a outras histórias, que poderiam também estar muito mais elucidadas, veremos que, ao longo dos últimos 20 anos, meia dúzia de pessoas dirige o tema "desaparecidos" no Brasil mais ou menos assim: quando se encontra corpo, desviam o assunto para exigências de arquivos; quando surgem arquivos, querem reuniões com governos; em reuniões com governos, mesmo atuando dentro deles, são oposição e, juntando tudo isso, querem ganhar - e ganham - ações.
Doloroso é saber que mães, irmãos e amigos são enganados por  poucos, interessados em conquistar, por exemplo, uma ação contra o Brasil. Basta ler a sentença da Corte Interamericana para observar vícios contundentes de processo. Traição? Oportunismo?
Então, dedicamos também o blogue aos que são, inocentemente, ludibriados. Nesse caso, o sempre bem intencionado povo brasileiro. Ou melhor, nós todos.
Nascido em São Leopoldo, João Carlos Haas Sobrinho foi presidente da União dos Estudantes gaúcha em 1964, ano de sua formação em medicina. Fundou o primeiro hospital de Porto Franco, sul do Maranhão, em 1967. Adotou o apelido Juca no sudeste do Pará, para onde se dirigiu no final de 1968. Integrante da Comissão Militar das Foguera, tombou aos 31 anos com os guerrilheiros Ciro Flávio Salazar e Oliveira e Manoel José Nurchis (Gil). O combate é registrado nos relatórios militares. Seu corpo foi exposto na calçada em frente da delegacia de Xambioá e detalhes de setembro de 1972 foram contados e registrados pelo ex-guerrilheiro Dower Moraes Cavalcante, retirado de presídio em São Paulo, por ordem do general Antonio Bandeira, para identificar guerrilheiros. Enterrado no cemitério local, a sepultura foi apontada pela viúva do coveiro em 1996, e, segundo informações veiculadas no período, seu corpo teria sido exumado durante os trabalhos da Equipe de Antropologia Forense Argentina, em julho do mesmo ano.

Um comentário:

joaquim9455 disse...

Ainda bem que o Brasil tinha os militares para noa proteger desses bandidos.Hoje,não temos mais nada!