segunda-feira, 26 de março de 2012

História da nação ou acerto de contas?


Serra Pelada, Curionópolis (PA) - Myrian Luiz Alves, 2004

João Carlos

"Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos
 ao mesmo tempo que nos morde."
(Nietzsche)


O cidadão pode aceitar, acomodar-se ou lutar contra um golpe de Estado. Foi o que ocorreu em 1964. Alguns aceitaram, outros se acomodaram a ele tornando-o legítimo. Entendendo- o fascista e entreguista, não o aceitei.

Segmentos democráticos, trabalhistas e socialistas reagiram à ditadura militar, criando, já em 1965, a Frente Popular de Libertação, com diretrizes de resistência armada, que derivou na tentativa de guerrilha na Serra de Caparaó, na divisa de Minas e Espírito Santo.

Outros escolheram a luta armada urbana, com seguidores divididos em numerosos grupos. O Partido Comunista do Brasil optou pela luta em área rural na tripla divisa do Pará, Maranhão e norte de Goiás, hoje Tocantins.

Essas forças defendiam ideologias, políticas e modos de ação diferentes. Agora, a nação quer saber desses acontecimentos, de sua história.

A Guerrilha do Araguaia pretendia criar áreas liberadas, tendo no seu programa promessas de liberdades democráticas e enfrentou as Forças Armadas da ditadura. 

Por ter participado dela, exijo que a tratem com respeito, tendo como bússola as fartas informações existentes dos três lados envolvidos.

Respeito aos fatos e aos envolvidos

O nome nasceu imperfeito, de qualidade intelectual duvidosa, e revela mentalidade primária, até ridícula.

Comissão da Verdade! O termo mostra seu caráter, de querer a nação de joelhos frente a algumas “autoridades” exigentes de mentiras, ditando e distorcendo acontecimentos históricos, não importando os horrores e as dores dos fatos.

Estamos tratando da História do Brasil. É necessário escutar quem dela participou, em seus vários momentos, maneiras e circunstâncias.

Em relação à Guerrilha do Araguaia, espero que chamem para oitiva os que sobreviveram: guerrilheiros, militares e a população local, provas testemunhais que podem ser cruzadas com documentos e outras informações.  Podemos, assim, manter o compromisso com a verdade, mostrando o nosso caráter que em nada tem a ver com a atual política partidária, com a transformação dos poderes em balcão de negócios particulares, ou partidários hegemônicos.

Violentar a verdade é incluir na direção da comissão, cidadãos ou organizações que participaram dos eventos, pois somos partes, impossibilitados de garantir isenção. Também não podem integrá-la pessoas indicadas por questões ideológicas ou políticas.

Os conflitos e guerras são sempre cruéis, mas não podemos machucar a história usando meios furtivos ou direção obliqua. 

                 
A ação do Ministério Público Federal contra Curió

Extremistas fingem esquecer que as forças armadas são instrumento de Estado, mantidas com dinheiro público.

Crimes cometidos por médicos, marceneiros, engenheiros, ou engraxates, não comprometem a categoria, mas o cidadão. Uma nação é construída por indivíduos, alguns heróis e outros covardes, como os combatentes de prisioneiros.

Elementos de corporações militares tornaram-se bandidos, a serviço de um governo fascista. Julguemos a figura emblemática sabendo existir outros torturadores. 

sábado, 17 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

MP vai abrir processo contra Curió. E então...

Myrian Luiz Alves e João Carlos


 Xambioá (TO)
Direito do país em saber sua história, já contada parcialmente
 em matérias do currículo escolar da região

O noticiário de ontem, 13, informou que o Ministério Público Federal vai abrir processo contra um dos militares que atuaram como agente do Centro de Inteligência do Exército (CIEx) na Guerrilha do Araguaia: o ex-coronel Sebastião Rodrigues de Moura Curió. A acusação é de sequestro de cinco guerrilheiros.

Curió e garimpeiros de Serra Pelada (PA), década de 1980

Este blogue já colocou os nomes de outros três militares que atuaram na linha de frente, um deles, em 1993, Thaumaturgo Vaz, já chamava os integrantes do grupo de informações de "vagabundos", em entrevista à Fundação Getúlio Vargas. Em 2001, o MPF andou pela região, entrevistou moradores e ex-guias. Um dos procuradores, Guilherme Schelb, disse que Curió possuía um bunker em Curionópolis (PA). O MP não manifestou ter procurado o ex-coronel, embora ele fosse um dos militares mais citados por moradores, principalmente por ter permanecido na região e favorecer-se do poder adquirido principalmente no período pós-guerrilha.


Citado neste blogue, Curió, durante anos, incluindo seu período como deputado federal, nunca negou sua participação na contra-guerrilha. Dela, tirou bom proveito - interventor de Serra Pelada no início dos anos 80, deputado federal e prefeito, cassado posteriormente por desvio de dinheiro público.


Em entrevistas, costuma evocar o nome de José Genoíno como defesa de seu comportamento, "nunca torturei ninguém". Em 2005, contou ao jornalista Leonencio Nossa a data de morte da guerrilheira Dina, 24 de julho de 1974. Não houve qualquer reação à informação, da mesma forma como em 2008, quando o mesmo jornalista, repórter de O Estado de S.Paulo, revelou documentos do ex-militar. No ano passado, também a imprensa informou que o ex-coronel passara algumas horas na prisão, por porte ilegal de arma.

Nos relatórios ao Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), do Ministério da Defesa, um morador diz: "Curió só combatia prisioneiros". O ex-agente também prestou depoimento, em 2009, à Justiça Federal. Chegou a confirmar a existência de "filhos" do guerrilheiro Osvaldo Orlando Costa, um deles, Giovani, supostamente sequestrado por militares. Além de não ter sido dada sequência a outras perguntas naquele momento, nenhum grupo de direitos humanos se manifesta a respeito.

O blogue louva a atitude dos procuradores e espera que a procuradoria militar siga o mesmo caminho. No entanto, como sabemos que, desde os anos 80, Curió sempre foi o principal foco, ou o que mais pôs a cara a tapa, que se vangloria, como disse certa vez ao New York Times, de ser chamado o Kurtz da Amazônia, em alusão ao livro Coração nas Trevas, de Joseph Conrad, base do filme Apocalipse Now, fica a sensação de que não há nada de novo no ar.

De nossa parte, continuaremos por ora a acreditar que existe algo muito estranho na demora do cumprimento da sentença da juíza Solange Salgado - que tem o poder de convocação de qualquer cidadão - e no vaivém das notícias sobre os conflitos ocorridos nos anos 60-70. Assim como a "estranheza" na demora de procedimentos de identificação de restos mortais já recolhidos como na exigência de folhas de alteração. Nelas, constam os plantões militares que podem ser confrontadas com as datas de morte (incluindo de prisioneiros) apresentadas pela Marinha em 1993, por exemplo. Com exceção de um ou outro equívoco, elas batem com as informações até aqui apresentadas.

Em tempo: vale a pena ler a reportagem "Do caos à lama". O sonho do ouro volta a assolar Serra Pelada, publicada hoje, 14, na Revista Trip.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Guerrilha do Araguaia e as mulheres do Brasil - 2

Myrian Luiz Alves


Ficha de Walkíria Afonso Costa no Dops (Arquivo do Dops, copiado pela família)

Sentada nas escadas de mármore da casa em que moro em Paquetá, agora à noite, curtindo os gatinhos que brincam na calçada e na areia da rua, em liberdade, fiquei observando a de Pedro Bruno, um bom cidadão brasileiro que nasceu e viveu na ilha (já citado neste blogue).

Por alguns instantes vêm à lembrança momentos que vi da história recente do Brasil.

Entre eles, a redemocratização, campanhas nacionais, CPIs. Então, sem pieguices, agradeço mentalmente - ou espiritualmente - aos meninos e, em especial, às meninas do Araguaia.

Quase não falam delas, em seu conjunto. Há uma porta-voz que não permite a socialização do que representam aquelas mulheres em um território de tamanho razoável do país, o sudeste do Pará. Algumas por terem ficado mais tempo, ganharam fama de pessoas legais e guerreiras.

Ao certo, nove mulheres permaneceram até 1974. Uma delas, Cristina (Jana Moroni Barroso) teria sido morta com um tiro desferido por um militar despreparado, queriam-na viva, para executá-las após a prisão, como ocorreu com as outras oito.

Do destacamento comandado por Osvaldo, o B,  foram mulheres, em sua maioria, as últimas sobreviventes na região, com exceção da possibilidade de José Maurílio Patrício ter conseguido escapar até outubro, segundo a Marinha, que não afirma o dia.

Valkíria, no álbum militar – outubro 1972

46 – WALQUIRIA AFONSO COSTA  “WALQUIRIA”  (Dst B – Gp CASTANHAL)

A última pessoa do contingente guerrilheiro a ser delatada, presa e fuzilada foi Walkíria Afonso Costa, mineira e estudante de pedagogia. Façamos a ressalva: Walk atirava bem desde os oito anos, em caçadas com o pai, nas cercanias de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Acostumou-se, talvez, mais à vida da mata do que outros guerrilheiros de vida completamente urbana, ela cresceu às margens do rio Paraopeba, curiosamente, próximas às extrações da Vale do Rio Doce. 

A empresa detém o monopólio de exploração em Carajás, área da guerrilha, cujo projeto de exploração foi decidido em julho de 1974, mês em que teria sido executada a popular guerrilheira Dina, geóloga e até pouco tempo antes, funcionária do Ministério das Minas e Energia.


"Verás que um filho teu não foge à luta"

Levada aos fundos da base militar de Xambioá, oficiais, ladeados em meia lua, teriam alvejado Walkíria com três tiros. Há um corpo em Brasília desde 2001, com a mesma altura da guerrilheira, 1.67m, retirado do cemitério de Xambioá. Até hoje não há notícias de tentativas de identificação.

Antes de Walkíria, tocadora de acordeon e apaixonada por músicas de Geraldo Vandré, Telma Regina,  Dinaelza Santana, Luzia Garlippe, Sueli Yomiko, Áurea Elisa, Dinalva Conceição (Dina) e  Maria Célia foram aprisionadas sob o olhar de civis e militares. Não tiveram, como também aconteceu a vários de seus camaradas, o direito à defesa.


 
"Mensagem" de Walkíria a Geraldo Vandré

A história precisa saber de quem partiu a ordem nazista e quem foram seus executores. Não há nenhum dilema nisso. Barbárie existem todos os dias, em meio à cidadania, em conflitos políticos e no seio de todos os povos. A maneira como ocorre o desdobrar dos fatos é o problema. Há uma locupletação para que se proteja algo dos dois lados, só pode ser.

Há sete anos, dediquei algumas linhas às mulheres do Brasil e da guerrilha. Hoje, em nossos dias, quero falar das que sobreviveram, Elza, Tereza, Lucia Regina, Regilena, Luzia. Não falarei de Criméia porque não merece, ao meu ver, ser colocada em meio a pessoas legais. Sou da Mooca, e lá, sabe Deus as razões, não temos paciência com mentirosos, muito menos com sacanas, no sentido pejorativo da palavra e não a gíria, como gostamos de usar.

Não conheço pessoalmente apenas a Tereza. Sou mãe de quatro filhos e tenho-lhe o maior respeito. Por ela, um camarada também sobreviveu. Lucia, Regilena e Luzia são amigas eternas, exemplos de caráter, carinho, amor e solidariedade. Que privilégio conhecê-las, e por elas, estendo meu sentimento às que ficaram. Elza, conheci como dirigente comunista, dura. Pude visitá-la em seus últimos meses, em um sítio à beira d'água após a montanha Dedo de Deus, no Rio de Janeiro.

Trouxe de sua casa orquídeas e uma caixinha com cartas da prisão. Fomos a ela saber um pouco do Joca. Fui acompanhada de um dirigente do PCdoB do Rio, o sobrinho de Joca, Wladmir, e o cunhado, Antonio, calabrês como o guerrilheiro que teria passado, segundo Elza, por paraibano.

Certa vez, dei carona a Elza e a dona Amélia, mãe de Chico Buarque. Foi após um ato de Direitos Humanos na Câmara de São Paulo. Elza desceu primeiro, na Rua Rui Barbosa. Seguindo seus esquemas de segurança, exigiu descer do outro lado da rua. Dona Amélia, que, no caminho entre a Rui Barbosa e a Higienópolis, enalteceu a comunista e mostrou-se emocionada em tê-la conhecido, queria que a deixasse na frente do prédio em que morava seu filho mais velho, Sérgio. Discordei e disse-lhe que a deixaria na portaria, em frente ao elevador, como o combinado com Ana, sua filha, hoje ministra da Cultura. Ela mostrou-se aborrecida, mas fiz o que prometera e fui embora. Ali, lembro-me de ter refletido sobre a importância de influências de pessoas fortes, combativas, não servis.

E não importam a classe, o meio social, a família, o diploma ou a riqueza. As influências de uma nação atingem a todos, desde que a ideia, ou o comportamento, o gesto, valha a pena.

É o que acontece, por exemplo, com Walkíria e Idalisio Aranha, seu companheiro até 1972. Tornaram-se uma grande epopeia. As localidades por onde passaram no Araguaia também colaboram com o cenário: Perdidos, Andorinhas, Gameleira, Xambioá, entre outras. Este blogue já publicou texto do sargento Califa, da FAB, sobre o Idalisio. Embora não tenha inserido no texto, o ex-militar conta que o guerrilheiro, fustigado por um helicóptero nos Perdidos, área de São Geraldo, enfrentou um grupo de paraquedistas. Na lenda, sabe-se que o general Bandeira teria afirmado que o rapaz comportara-se como um verdadeiro combatente.

A presidente Dilma Rousseff militou no mesmo período do casal estudante, como ela, da Universidade Federal de Minas Gerais. A morte de Idalisio nunca foi omitida, ao contrário, foi enaltecida, como mostra a história. Conclui-se que tenha sido enterrado em Xambioá. 

Era 1972, e sua morte consta, como a de outros, em relatórios militares. A morte de Walkíria, em 25 de outubro de 1974, segundo a Marinha, foi contada pelo ex-soldado Adailton Bezerra ao então presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos, João Luiz Duboc Pinaud, praticamente expulso da presidência pelo grupo de direitos humanos que dirige a comissão desde 1996. Como ele pretendia realizar um bom trabalho, teve a dignidade de dirigir uma carta ao presidente Lula, que o nomeara, renunciando ao cargo, deixando aquele ambiente fraticida.

Os bastidores são exaustivos. E essa turma é profissional da hipocrisia e mediocridade. Às vezes, essa história cansa. Mas logo, a curiosidade se aguça e a vontade é de saber mais. O que se esconde em meio aos cerca de 140 mortos do período militar no Brasil, sendo mais de sessenta, incluindo moradores, no Araguaia? O que esses corpos podem contar?

Voltando às meninas, a delicadeza de Lucia Regina pode ser sentida no detalhe de um registro de sua memória. Ao retornar de um banho, no alvorecer no rio Araguaia, ela se deparou com uma teia cobrindo parte de um arbusto. A cena lhe era muito bonita. A luz que irradiava nos fios trouxe-lhe a razão do tempo. - Isso é efêmero -, pensou.

                             

Walkíria, em caçada, e suas notas escolares 

O tempo dos seres é efêmero. Suas histórias duram um pouco mais, servem à evolução do pensamento das gerações, da humanidade.

Então, por que cargas d'água os bichos homens (masculinos e femininos) passam a tal efemeridade, esse segundo no cosmo, sacaneando uns aos outros. Na história, as meninas que abriram os anos 70 de fuzis e 38 às mãos, ultrapassaram o tempo de sobrevivência em relação aos gigantes masculinos. Se é feio matar um homem preso, naturalmente, para a civilização, matar uma mulher é mais ainda. Num contingente de 59, 23 pessoas foram presas e executadas. O que há de vitorioso nisso? Repetindo, nove eram mulheres, apenas uma foi morta antes da prisão, pelas costas, ao tentar correr.

Antes, em 1973, Lucia Maria (Sonia) foi morta, e, em 1972, Helenira (Fátima) e Maria Lucia (Maria). São doze as guerrilheiras que por lá se eternizaram, entre 1972 e 1974.

A promotoria militar pode e deve dar um basta ao cinismo e a impunidade - principalmente moral - que protegem criminosos. O ambiente militar não pode jamais tutelar bandidos, com ou sem farda. Ordem errada ou criminosa não se cumpre. E a presidente tem a oportunidade de fazer um bom trabalho no resgate dessas e de outras histórias, não permitindo, pelo menos, a continuidade do vilipêndio praticado por meia dúzia de sacanas que tentam dirigir a história recente do Brasil.

Podíamos começar com esclarecimentos coerentes sobre o crânio encontrado durante as exumações de 2001 em Xambioá. Como outros restos mortais, estão sob responsabilidade da Secretaria de Direitos Humanos, lotada no Ministério da Justiça do Brasil. Nenhum dos participantes daqueles trabalhos em Xambioá era otário, muito menos os cientistas. O Brasil tem medo de saber suas dores? Não há como crescer sem sabê-las.

Deixem os militares e civis octogenários ou septuagenários contarem os fatos, a história deles e a dos militantes armados é o que importa. Como falar de punição sem a narrativa de quem participou? Presta atenção, Brasil. "Mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim" (Cazuza).

Talvez, ao nos sabermos, a gente melhora. Três tiros na professorinha, e só com o terceiro ela tombou. É a própria educação do Brasil, não é não, Walk? Um viva a vocês todas, meninas!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Arquivos e armários



 Myrian Luiz Alves e João Carlos Campos Wisnesky


Nos últimos dias, o tema Comissão da Verdade, há meses no vaivém do noticiário, ganhou contornos jamais imaginados. 

A anistia de 1979, rediscutida na constituinte, colocou-se na agenda política no final da década de 2000, às vésperas da campanha presidencial que elegeu a presidente Dilma Rousseff, representante da geração 68, após anos de existência de comissões, processos indenizatórios, abertura de arquivos estaduais e também do nacional ocorrerem durante esse período. 

Em meio, também, ao cumprimento de uma sentença federal relativa a uma petição de 1982. Nesse decorrer, partes dessa petição e de outras ações, como a da OEA, estiveram no interior de governos federais e de pesquisas oficiais de inquéritos que subsidiaram indenizações por mortes presumidas e, por sua vez, anistias pós-mortem e de militantes sobreviventes.  

Essas mesmas partes das ações ora em discussão exumaram corpos em campo santo para os omitir no interior da máquina do estado. Isso se deu a partir de 1996 e prosseguiu até 2011, sob responsabilidade da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, da Secretaria de Direitos Humanos, no prédio do Ministério da Justiça, em Brasília, durante a gestão dos ministros Nilmário Miranda e Paulo Vanucci. Antes de irem parar no armário da sala de reuniões da comissão, caixas de papelão com os ossos ficaram sete anos no edifício da Polícia Federal, da Capital, que jamais recebeu autorização para tomar providências de identificações, ou mesmo de encaminhamento para laboratórios de medicina legal.

Busquem-se notícias das duas últimas décadas e se verá um punhado de repetições de argumentos falhos e mentirosos, completamente estranhos ao sentido histórico dos conflitos armados, ao significado daqueles momentos e aos aspectos de perícia criminal daqui e de qualquer outra nação.  

Já perguntamos neste blogue o que querem essas pessoas? Qual o objetivo de omitirem corpos e cobrar do passado atitudes não afetas à área sincera dos direitos humanos? Por que os conscientes da omissão não cobram atitudes pelo menos coerentes? Afinal, muitos jornalistas, historiadores, familiares de “desaparecidos políticos” e até mesmo autoridades    políticas sabem da hipocrisia que domina o caráter do tal grupo  político-ativista de DH.

Colocamos, abaixo, relatório  de Myrian Luiz Alves, de final de fase 2010 enquanto pesquisadora convidada do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), então coordenado pelo Ministério da Defesa. O texto contém análises e sugestões, como as de acionar a procuradoria militar, solicitar folhas de alteração, centralizar documentos e restos mortais para procedimentos de cruzamentos de dados e procedimentos de identicações, com controle social e cadeia de custódia conforme as exigências legais do Brasil. 

Finalmente, o registro, neste debate, das manifestações de Mauro Santayana e do historiador Carlos Fico, em matéria de O Globo.



ANEXO
RELATÓRIO DA PESQUISADORA
MYRIAN LUIZ ALVES

“... a lua desenhou-se calma e revestida desse encanto melancholico que tem sempre esse astro da noite em nossas solidões, despertando no coração vagas saudades e incertezas esperanças de um futuro ideal, que nunca realizaremos na terra, e que é, talvez, uma aspiração de nossa alma para a imortalidade.”
(Couto de Magalhães, 1863, em referência ao Rio Araguaia)
           


Introdução

Foto: Arquivo de João Negrão (MT), publicada em Operação Araguaia,
 de Taís Moraes e Eumano Silva

Daniel Ribeiro Callado, primeiro à direita na segunda fileira. Jogador do São Gonçalo (RJ), ex-terceiro sargento, morador de Luciara (MT), Conceição do Araguaia e São Geraldo (PA) desde 1964, 1965. Fundador de times de futebol na região.
Integrante do Destacamento C, e posteriormente do B-C, foi preso, segundo os relatórios militares, em maio de 1974 e teria sido morto em junho do mesmo ano. Sua prisão foi testemunhada por diversos moradores.
Teria sido preso em área próxima a Araguaína e levado para a base-empresa Marcelinense e Base de Xambioá. O ex-soldado Josean foi um dos que fizeram guarda para ele. O ex-soldado Fonseca revelou em outubro de 2010 que Daniel pode ter sido executado em sua cama. Essa afirmação teria sido dada a ele por Josean após Fonseca ter encontrado em sua própria cama pedaços de massa encefálica.
Depoimento de outro ex-soldado ao Ministério Público Federal informa que Daniel teria sido levado algemado para o antigo DNER, em Marabá. Outras informações sobre Daniel foram inseridas em relatórios anteriores.


Luiza Garlippe (Tuca) e Pedro Alexandrino (Peri) em São Paulo. O corpo de Peri teria sido sepultado na Base de Xambioá pelo ex-soldado Fonseca, um dos colaboradores do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT). Tuca, prisoneira da Base Bacaba, teria sido morta, junto com a guerrilheira Chica (Suely Yomiko), com injeção letal. Teriam sido sepultadas na Base, segundo o ex-sargento Santa Cruz.


João Carlos Haas Sobrinho (Juca) fotografado no Vão do Marco, entre Porto Franco e São João do Paraíso (MA), entre 1967 e 1968. Médico-cirurgião, fundou em 1967 o primeiro hospital de Porto Franco. Foi o primeiro dos comandantes das Forças Guerrilheiras do Araguaia (Foguera) a morrer em combate. 
Seu corpo foi exposto na calçada da delegacia de Xambioá.
O histórico da Guerrilha mostra que foi sepultado no cemitério da cidade. Destaca-se que tombou com os guerrilheiros Flávio (Ciro Flávio Salazar) e Manuel José Nurchis (Gil), do Destacamento B durante a Operação Papagaio – setembro/outubro de 1972. Nessa operação foram mortos oito guerrilheiros.



Dinalva Conceição Oliveira Teixeira (Dina) e Antonio Carlos Monteiro Teixeira.  Antonio tombou em setembro de 1972, junto com Antonio Toledo (Vítor – vice-comandante do Destacamento C) e Francisco Chaves (Dst C). A morte da mais popular das guerrilheiras não é aceita pela população. Muitos moradores viram sua prisão, assim como alguns militares. Sebastião Curió disse ao jornal O Estado de S.Paulo, em 2005, que Dina morreu em 24 de julho de 1974. Os relatórios de 1993 apresentam apenas o mês de julho.
Em 21 de novembro de 2010, por telefone, o ex-soldado Francisco Goes contou ter ouvido do ex-tenente R-2 Iran Gonçalves, hoje coronel da Polícia Militar do Pará, que ele teria levado Dina ferida para o hospital de Marabá,
 onde ela teria falecido.
Na última fase de 2010, em novembro, o GTT gravou depoimento de Juca do Ferro Velho, que teria, na época da guerrilha, entre outras ocupações, a tarefa de carregar corpos do hospital de Marabá para o novo cemitério da cidade. Um desses corpos teria sido retirado por ele, enlonado, do 52º Batalhão de Infantaria de Selva, no Km 8 da Transamazônica. O cemitério foi inaugurado em 1974.
O histórico da Guerrilha diz que Áurea Elisa Pereira teria sido presa, levada para Xambioá e depois para o 52º BIS.
 Documento do Arquivo Nacional confirma a prisão de Áurea, como de outros guerrilheiros, a exemplo de José de Lima Piahuy Dourado.


Em 2009, Josias Gonçalves, Jonas, um dos ex-guerrilheiros locais, retornou a São Geraldo e revelou ao GTT que teria aberto uma cova para sepultar Osvaldo Orlando Costa. Decidiu permanecer na região para localizar o local na área da antiga Base.
Em outubro de 2010, Francisco Goes, ex-soldado que teria se colocado como voluntário para a tarefa, realizada com outro militar, contou a mesma história contada por Jonas. Juntos, estiveram na Base com a presença do GTT à procura do ponto, que, segundo informações de outros soldados e fonte preservada, abrigam ao redor ou bem próximo a ele os corpos de Walkíria Afonso Costa, Pedro Alexandrino (Peri), Líbero Giancarlo Castiglia (Joca) e Batista, guerrilheiro supostamente recrutado na região.
Em novembro, cópia de depoimento recente de um ex-cabo da Polícia Militar de Goiás à Justiça Federal recebida pelo GTT confirma a mesma história contada por Jonas e Francisco.



                                                                                          
A identificação de Bergson Gurjão Farias, apontado no Relatório da Equipe de Antropologia Forense Argentina, de 1996, como a segunda possibilidade para o corpo X-2, ocorreu somente em julho de 2009, às vésperas do início dos trabalhos de campo do GTT. O corpo X-2 recebeu seis indicações: João Carlos (Juca), Bergson, Manuel Nurchis, Idalísio Soares, Kleber Lemos e Antonio Teixeira.
Esta pesquisa consultou médicos legistas e a direção do Instituto Médico Legal do Ceará (janeiro de 2005). Denúncias foram levadas à imprensa, como se observa nas matérias anexadas. Até o momento, a pesquisa não observou qualquer crítica ou autocrítica dos responsáveis pela tutela de seu corpo - retirado de cemitério, onde foi enterrado em público e recebeu indicação para sua sepultura, registrada em fotografia, ainda durante a caravana de 1980 – para a demora de 13 anos para sua identificação.


Ilustração de Paulo Roberto Pereira Marques (Amaury) aos 16 anos. O tenente-coronel Lício Maciel informou à Justiça Federal que Amaury (Chefe do Grupo Gameleira, Dst B) teria sido sepultado no Cemitério de Santa Isabel, região de São Geraldo (PA), após ter sido morto com outro guerrilheiro durante uma operação militar.

                                       Balanço 2010

O trabalho desenvolvido por esta pesquisa em 2010 fixou-se mais em Xambioá, estendendo a averiguação de informações em Santa Isabel, Santa Cruz, São Geraldo, Brasília e Rio de Janeiro.
Foram realizadas, entre outras, entrevistas e gravações com moradores e antigos coveiros de Xambioá, São Geraldo e Santa Isabel, algumas delas em parceria com a antropóloga Ivete Nascimento, do Museu Emilio Goeldi.
A pesquisa colaborou no levantamento de pontos referidos desde a primeira caravana de familiares, em 1980, da Comissão Justiça e Paz, de 1991, das exumações de 1996 e 2001 para os trabalhos da cartografia do Grupo de Trabalho Tocantins.
Foram apresentados novos apontamentos, a exemplo de Axixá e Cajueiro, e a reiteração da área do cimento, já apontada desde a caravana de 1980.
Registra-se que a área do Cruzeiro foi apontada pelo coveiro Pitu como de reinumação de corpo supostamente dali retirado em 1996.
É importante destacar o impedimento de gravações com participantes da contraguerrilha, responsáveis por apontamentos e revelações fundamentais sobre o destino de guerrilheiros, durante a fase de outubro de 2010.
Vale observar que entre esses depoentes incluem-se ex-militares que carregam o drama de ter feito guarda para prisioneiros cientes de sua execução.

Observações

A característica fundamental do servidor, militar ou não, conhecedor das leis em vigor de seu país está reforçada no valor individual – ordem errada não se cumpre.
O militar Sebastião de Moura é o mais citado em depoimentos como um suposto descumpridor de leis universais e brasileiras. A mais singela das observações de participante do conflito sobre esse militar foi “Curió só combatia prisioneiros”. Integrante da “comunidade de informações” no período da Guerrilha do Araguaia, Curió ficou também conhecido posteriormente como o interventor de Serra Pelada.
Quem são os militares chamados de “vagabundos” pelo ex-major Taumaturgo Vaz, hoje general, em referência à comunidade de informações? Ou ainda outros, de sua própria tropa, a quem ele precisava controlar para que não extrapolassem seus limites?
Uma nação não pode ouvir e registrar, sem qualquer ação, a barbárie e o abandono de patriotas que ousaram pensar e sonhar. Equivocados ou não, teriam, como prisioneiros, o direito fundamental à defesa.
Da mesma forma, os que morreram em combate teriam igualmente o direito à sepultura digna. O comandante geral das Foguera, Maurício Grabois, por exemplo, morto no Natal de 1973, defendeu, enquanto líder da bancada comunista na Assembléia Constituinte de 1946 a liberdade religiosa no Brasil. Baiano judeu, Maurício morreu em combate já sexagenário.
Fotografias de seu corpo e de seus companheiros mortos naquele Natal foram reveladas pelo jornal O Estado de S.Paulo já em 1982.
A posição de dois dos quatro corpos fotografados é semelhante aos restos mortais retirados da reserva indígena em 1996.
Um dos corpos poderia ser o de Guilherme Gomes Lund, o Luís. Sua mãe, Julia Gomes Lund, abriu a petição de 1982 e a ação junto à Organização dos Estados Americanos – OEA.

Dificuldades encontradas

Desde agosto de 2009 esta pesquisa voltou-se à cobrança para a identificação ou providências para os corpos retirados da região do Araguaia ao longo dos anos (Brasília e São Paulo). Entende-se que uma identificação levaria à outra.
Com o pesquisador Hugo Studart a pesquisa sugeriu o diálogo com militares do período, citados em relatórios, entrevistas e autores de livros. A sugestão envolvia entrevistas fora da região e em período que antecedesse os trabalhos de campo do grupo. Sugeriu-se ainda o registro de depoimentos de ex-guerrilheiros e o acompanhamento dos trabalhos do GTT por aqueles que manifestassem interesse. Vale destacar que cinco deles estiveram na região. Três por seus próprios custos. Dois desses guerrilheiros foram recrutados na região.
Observe-se que, no entendimento desta pesquisa, seria fundamental ouvir a opinião do perito criminal Domingos Tochetto, autor do parecer sobre o caso Bergson Gurjão Farias (2009).
Essas solicitações não foram atendidas.

Sugestões

Repassar ao Ministério Público Militar (MPM) cópias de documentação relativa à Guerrilha do Araguaia, como:
. Relatórios Militares – Operação Peixe, Operação Papagaio, Operação Sucuri, Operação Marajoara, Relatórios do Centro de Inteligência do Exército (CIE), Força Aérea e Marinha de 1993 (em anexo), documentos do arquivo Ernesto Geisel do acervo da Fundação Getúlio Vargas, entre outros.
. Depoimentos da pesquisa de Romualdo Pessoa, de moradores ao Ministério Público Federal de 2001 e de ex-militares ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e ao Ministério Público Federal.
. Relatório Paulo Fonteles, de 1981, Ordem dos Advogados do Brasil/Pará.
. Processo da petição de 1982, dos advogados Luiz Eduardo Greenhalgh e Sigmaringa Seixas.
. Fotografias de mortos e prisioneiros.
. Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Desaparecidos Políticos (CPI de Perus, Câmara Municipal de São Paulo, 1991) e documentos relativos à Guerrilha do Araguaia, incluindo depoimentos.
. Documentação do Grupo de Trabalho Tocantins.
. Documentos do Arquivo Nacional.
. Parecer do perito Domingos Tochetto ao deputado Pompeu de Matos.
. Documentação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
. Processo do Superior Tribunal Militar (1966) referente a prisões de militantes quando retornavam da China.

Justificativa

. Entende-se que cabe também ao MPM a apuração da conduta de servidores das fileiras militares e saber deles o destino dos guerrilheiros aprisionados. Ou o destino de corpos não vistos por moradores ou outros participantes do conflito (guerrilheiros, guias, entre outros). Isso é dever cotidiano. Os agentes envolvidos na contraguerrilha não estão acima do regimento militar, muito menos da Carta Magna.
. A partir do trabalho desenvolvido pelo GTT, sob coordenação do Ministério da Defesa, seria contraditória qualquer intenção de manter silêncio – que na verdade nunca existiu – sobre as responsabilidades coletivas ou individuais de militares envolvidos na contraguerrilha.
. A maioria dos documentos utilizados por pesquisadores (relatórios, fotografias e outros) foi cedida por militares. Vale lembrar a documentação do general Bandeira, primeiro dos generais no combate à Guerrilha.
. Ex-militares têm contribuído para a revelação de fatos e auxiliado, como se viu no GTT, na procura de corpos de guerrilheiros.
. O GTT tem também como missão saber o destino do militar Francisco Valdir de Paula, desaparecido no início de 1974.
. É ainda fundamental para a história do país o conhecimento sobre o total de militares, policiais e moradores feridos ou mortos durante o conflito, assim como seus nomes e trajetórias.

Opinião sobre o cumprimento da sentença

A demora do Poder Judiciário em atender à petição de 1982, a descontinuidade de trabalhos de busca iniciados ao longo das décadas e a ausência de respostas da área de direitos humanos em relação às identificações de corpos retirados da região do Araguaia são algumas das razões, entende esta pesquisa, das dificuldades encontradas pelo GTT na busca de corpos da Guerrilha do Araguaia.
Outros motivos podem ser explicados pelo uso político, por terceiros, das histórias de combatentes ou prisioneiros executados durante o período militar ou da falta de providências judiciais durante 36 anos em relação à apuração dos fatos.
Em 2009, por exemplo, o debate sobre a revisão da Lei de Anistia ressurgiu em pleno momento de cumprimento da sentença, quando se buscava informações sobre o destino de guerrilheiros mortos em combate ou “desaparecidos” enquanto prisioneiros. A amplitude nacional que permeou esse debate, 30 anos após a promulgação da Lei, contribuiu para a limitação da busca de depoimentos militares.
Corpos retirados em 1991, 1996 e 2001 da região do Araguaia não foram encaminhados adequadamente à devida identificação. Observe-se o caso Bergson Gurjão Farias e a demora na transferência dos corpos para laboratório específico, que ocorreu somente em meados de 2010.
No entender desta pesquisa, a demora da resolução de alguns desses problemas justifica-se pela tutela de identificações humanas ter estado durante mais de uma década sob responsabilidade de leigos e/ou “participantes” dos conflitos do período militar e que são, igualmente, “parte” em ações de caráter indenizatório.

Registro

Como pesquisadora do tema, reafirmo a satisfação em participar do Grupo de Trabalho Tocantins. Além do dever cívico, é uma honra integrar um grupo coordenado pelo Ministério da Defesa do Brasil.

Marabá, 23 de novembro de 2010.

Myrian Luiz Alves

domingo, 29 de janeiro de 2012

Se é para se saber, por que não perguntam aos protagonistas dos fatos?


Cel Ydino Sardenberg Filho, quando comandante do 2º GAAAe, em 1980.
 Entre outubro de 1973 e janeiro de 1975, comandou a área sul da contra-guerrilha, no Araguaia

Myrian Luiz Alves e João Carlos


Há quase três anos, o agora denominado Grupo de Trabalho Araguaia, ex-Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), foi criado para cumprir parte da sentença da Justiça Federal sobre a Guerrilha do Araguaia, mais especificamente busca e identificação de corpos.
Já comentamos diversas vezes que há restos mortais exumados daquela região em poder da Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, e de sua Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que tutela restos mortais desde 1996. Esse procedimento, sob outro ângulo, pode ser entendido como crime de ocultação de corpos. O país tem instituições credenciadas para identificações humanas.
Como integrante do então GTT, por diversas vezes sugeriu-se a necessidade de ouvir oficiais e guerrilheiros e, ainda, argumentava-se a evidente urgência para isso, até por razões do tempo.
Há poucos dias, esta pesquisa dialogou com o ex-major Idyno Sardenberg Filho, morador da cidade do Rio de Janeiro, atualmente coronel da reserva, ex-comandante do 2º Grupo de Artilharia Antiaérea, em 1980, e oficial de confiança do presidente João Figueiredo, conforme citação do livro A Ditadura Escancarada, de Elio Gaspari.
Sardenberg afirma que assumiu o comando da área sul da contra-guerrilha na última campanha – outubro de 1973 a janeiro de 1975. A área sul compreendia São Geraldo, Serra das Andorinhas (PA), área dos destacamentos C e B, sob responsabilidade da Base Militar de Xambioá (TO), na divisa com o Pará. A área norte, conta o coronel, ficou sob o comando de Flávio di Marco, com sede em Marabá, e que se estendia à parte da região onde atuava o Destacamento A, São Domingos das Latas, São João do Araguaia (PA). 
Teria sido sua a proposta de descaracterização da tropa regular. “Não se pode combater uma tropa irregular com tropas regulares”, em contraposição à forma adotada pelo general Antonio Bandeira em 1972. No diálogo sobre o contexto do período - guerra fria -, em plena retirada das tropas norte-americanas ao final da guerra do Vietnã -, reforça-se o argumento de que “não se poderia permitir a deflagração de uma zona liberada”, como pretendiam as forças guerrilheiras.
O treinamento dos homens, descaracterizados, que partiram do Rio de Janeiro, ocorreu em Xerém. Sem farda, e de barba, o então major seguiu para o Araguaia e ali instalou três bases. Conta que foi ele quem chamou o major Nilton Cerqueira, responsável pela morte de Carlos Lamarca, em 1971, a participar do combate aos guerrilheiros. 
O coronel diz que nunca admitiu a prática da tortura. Segundo diz, capturados eram encaminhados ao “pessoal da informação” -  das três forças militares e do Serviço Nacional de Informações (SNI). 
Não teria utilizado codinome, sequer de “doutor”. Sorri ao ouvir os codinomes dr. Brito e dr. João, citados por ex-guias que serviram em sua área, e narra episódios de combate e tentativas de convencimento à rendição dos guerrilheiros, em que utilizava megafone.
Dos integrantes das forças guerrilheiras, fala, com convicção, que Raul era dentista (Antonio Teodoro de Castro estudava farmácia), e o chama, às vezes, de Fogoió. De maneira elogiosa, diz que chegou a ver uma maquininha de uso odontológico dos guerrilheiros. 
No GTT, chegou-se a pesquisar que, além de José Huberto Bronca, o guerrilheiro, e ex-estudante de medicina, Elmo Corrêa, pode ter sido chamado de Fogoió, pela população, por ser loiro. O irmão de Elmo, Aldo Creder, contou-me em 2001, que Elmo teria extraído dois dentes José Genoíno, segundo ele próprio lhe contara. Antonio Teodoro tinha os cabelos escuros. Os dois, de mesma altura, cerca de 1.80m, pertenciam ao mesmo destacamento, o B, comandado por Osvaldão. 
O coronel afirma que o guerrilheiro Joca (Libero Giancarlo Castiglia), a quem se referiu primeiramente como bom combatente, não teria resistido. A informação, porém, ainda está no ar. Permanece, por enquanto, a dúvida: se ele, ferido, não resistiu, ainda no caminho para Xambioá, ou, se ainda foi submetido à tortura, já ferido. Falaremos com mais detalhes da situação do caso Joca, entre outros. 
A respeito de Dinalva Conceição Oliveira Teixeira, a Dina, afirma que teria morrido na área da guerrilha.
Disse que, numa ocasião, viajou em um avião no qual havia dois corpos, embalados. Os feridos, afirma, eram levados para o hospital.
Em sua opinião, João Amazonas e Maurício Grabois eram “terroristas”, os demais guerrilheiros, “idealistas”.
Sardenberg, aspirante da Turma Barão do Rio Branco, de 1952, cursou a Escola das Américas e foi também paraquedista. No período da guerrilha, foi subordinado aos generais Hugo Abreu e Milton Tavares de Souza, já falecidos.
Chegou a comentar, superficialmente, que atuou também na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo e comentou o caso de uma "italiana", ocorrido antes da guerrilha, no Rio de Janeiro.
Ele é citado no caso Marilene Villas Boas, então militante do MR-8, e ex-integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Segue, abaixo, a citação, copiada do Wikipedia:


"Marilene Villas-Boas Pinto (Rio de Janeiro,8 de julho de 1948 - Rio de Janeiro, 3 de abril de 1971) foi um guerrilheira brasileira, integrante da luta armada contra a ditadura militar existente no país entre 1964-1985.
Descendente do Barão de Nova Friburgo, filha do neurocirurgião Feliciano Pinto e de Avelina Villas-Boas Pinto, ex-estudante de Psicologia na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, sua militância estudantil a fez ser perseguida pelo regime militar, o que a levou a entrar na clandestinidade, passando a integrar a organização de extrema-esquerda Ação Libertadora Nacional (ALN) e posteriormente o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
Seu confronto com as forças da repressão se deu na noite de 2 de abril de 1971, no 'aparelho' ocupado por ela e seu companheiro, Mário Prata, numa rua do bairro de Campo Grande, subúrbio do Rio de Janeiro.
Um cabo pára-quedista morador da rua Niquelândia, naquele bairro, desconfiava do comportamento do casal de vizinhos e levou o caso a seus superiores. Durante o dia, quando o casal se ausentou da residência, homens da Brigada Aeroterrestre entraram na casa e descobriram ser um aparelho. No local, encontraram um arsenal, composto de uma sub-metralhadora, três fuzis, três pistolas, duas granadas e três quilos de explosivos. Por volta das 23 horas, dezenas de agentes tocaiavam a casa quando o casal apareceu, num táxi. O comandante da operação, major José Júlio Toja Martinez Filho parou o táxi e pediu os documentos do casal. Marilene, de dentro dele, abriu a bolsa, puxou um revólver e atirou no militar, matando-o com um tiro no tórax. No tiroteio que se seguiu, Prata foi executado e Marilene ferida.
Entregue pelos militares aos agentes do DOPS, mesmo ferida no tiroteio Marilene foi torturada até ser morta com um tiro no pulmão. Provavelmente, sua tortura e assassinato se deu na Casa da Morte, local clandestino de tortura na cidade serrana de Petrópolis, sendo identificada por outra guerrilheira prisioneira no local, Inês Etienne Romeu, em depoimento dado ao processo do CDDPH no Ministério da Justiça, em 1997. O que aconteceu com Marilene na tortura chocou os pára-quedistas companheiros de Toja. Segundo relataria quatorze anos depois o coronel Idyno Sardenberg, 'os pára-quedistas não tiveram nada a ver com o que fizeram com ela. No caixão, estava arrumada, estava inteira. Mas era enfeite'.
Seu atestado de óbito dá sua morte como 3 de abril de 1971, aos 22 anos de idade, no HCE (Hospital Central do Exército). Seu corpo foi enterrado em caixão lacrado em 5 de abril pela família, no Cemitério São Francisco Xavier, no Rio, entre provocações de militares à paisana à familiares e amigos. Seu nome hoje batiza uma rua na cidade de São Paulo."

                                                        
Marilene Villas-Boas, militante do MR-8, caso comentado pelo 
cel Sardenberg, disponível no Wikipedia


Nomeações do regime militar podem ser localizadas pela internet

Um dado interessante, encontrado em http://www.jusbrasil.com.br/diarios/2947121/dou-secao-1-30-01-1974-pg-8. O arquivo traz nomeações feitas pelos ministros militares, algumas “por necessidade”, em janeiro de 1974. Alguns desses militares podem contribuir com a futura Comissão da Verdade. O nome do coronel Sardenberg está entre os nomeados "por necessidade".
Como ele, outros podem fornecer informações contundentes ao cumprimento da sentença. Há vinte anos, depoimentos de militares, policiais e autoridades políticas do período ocorriam normalmente durante as audiências da CPI de Perus. Não havia estardalhaço, nem descumprimento dos ofícios, com exceção de Paulo Maluf, ouvido em sua casa pela comissão, após suas duas negativas terem sido encaminhadas à Justiça. 
É importante lembrar que uma CPI federal, ao longo dessas quatro décadas, poderia perfeitamente cumprir, de maneira legal e com instrumentos já constituídos pelos estado, o que se pretende com a invenção de uma "Comissão da Verdade". Embora pensemos assim, torcemos e contribuiremos, como fazemos neste blogue, para que se (re)conte mais rapidamente a história recente do Brasil.
Já o Grupo de Trabalho Araguaia, em respeito ao erário, deveria gastar um pouco de seu tempo em entrevistas com os que de fato estavam na linha de frente, como é o caso do coronel aqui citado.
Assim como o GTA não convida oficiais do período, tampouco chama os guerrilheiros sobreviventes. Traduzindo, os que protagonizaram as ações históricas são preteridos. 
Lembramos que já postamos aqui fotos, função e período do primeiro e segundo comandantes do 52º Batalhão de Infantaria de Selva (junho de 1973 e 1976). Os dados fazem parte de relatório do GTT, de abril de 2010.

Socorram os restos mortais

O caso Araguaia, insistimos, requer urgência. Em 2012 completam-se 40 anos do início do conflito e o lero-lero dos de sempre já ultrapassou todos os limites da sanidade.
Registramos, ainda, um apelo à presidente da República, Dilma Rousseff: socorra os restos mortais já recolhidos, em poder da Comissão de Mortos e Desaparecidos, da Secretaria de Direitos Humanos, antes que esse pequeno "grupo" de desumanos os escondam ainda mais ou os destruam, até para que não se saiba, publicamente, o desrespeito com que trata não apenas esses despojos e a história do país, mas, principalmente, porque vive do status político e financeiro se (auto) intitulando “representante de familiares de mortos e desaparecidos políticos”.

Abaixo, um pouco mais da hipocrisia e mentira repassadas há anos por esse grupo, que prejudica e assola a história da nação.


Casos mal contados provocam 
diversionismo histórico

João Carlos e Myrian Luiz Alves


Mais uma vez, nos últimos dias da semana, matérias de caráter emocional, porém não aprofundadas, dão sustentação ao que, a nosso ver, fere até mesmo os princípios de liberdade e justiça social então defendidas pelos militantes, em especial os jovens que, então perseguidos e por determinação e escolha, optaram pela luta armada, urbana ou rural.
Essas matérias omitem os feitos e as ações de militantes. Em seu lugar, publica-se apenas o lamento ou a dor, naturais em familiares que perdem seus parentes. Por obrigação moral ou ética, a história do período não pode ser substituída para favorecer outros interesses. A dor familiar é complemento dessas histórias, não pode jamais substituí-las.
Comentaremos os casos Gastone Lúcia Beltrão e  Alceri Gomes da Silva, com suas trajetórias parcialmente contadas em jornais postados, agora, no Facebook. Aos que acompanham o blogue, sugerimos utilizar a ferramenta Google, até para observar como são repetidos, ao longo dos anos, os assuntos referentes a “desaparecidos”. O assunto foi tratado em meio aos 120 dias de trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Desaparecidos Políticos da Câmara Municipal de São Paulo, conhecida por CPI de Perus (1990-1991). 

Alceri e Gastone

Alceri, então militante da ALN, morreu em maio de 1970; Gastone, da mesma organização, morreu em janeiro de 1972, ambas em São Paulo. As duas foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal, necropsiadas e sepultadas em cemitérios públicos, municipais. O ano de suas mortes diferenciará o destino dos corpos.
Até março de 1971, os mortos não buscados por suas famílias no IML paulistano eram encaminhados, pelo serviço funerário, preferencialmente ao Cemitério de Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, o maior da América Latina. O líder Carlos Marighella, morto em 4 de novembro de 1969, por exemplo, foi sepultado nesse cemitério, e posteriormente trasladado por sua família.
Portanto, até março de 1971, a maioria absoluta dos mortos do regime militar em São Paulo, na tortura ou em confronto (não entregues ou não buscados por suas famílias no IML), foi sepultada na Vila Formosa, a exemplo de Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, também no final de 1969.
A partir de março de 1971, por uma questão de logística – o IML fica na Av. dr. Arnaldo – mortos “indigentes” passaram a ser levados, em sua maioria, para o Cemitério de Perus, periferia da zona oeste. O trajeto era mais direto e já havia as Marginais.
Gastone, então, foi sepultada em Perus. Há foto de seu corpo amplamente divulgada na internet. Aliás, a forma como esse “grupo” de “familiares” divulga fotos de corpos necropsiados beira a barbárie. Qualquer corpo necropsiado causa horror aos vivos, ou temor – e, consequentemente, dor. 


Maior cemitério da América Latina, o de Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, recebe
 quase 300 corpos todos os meses. O tempo de permanência é de três anos,
 conforme legislação do estado para cemitérios públicos 

"Desaparecidos" recebem tratamento burocrático

Pergunta-se se pode ser considerada desaparecida uma pessoa cujo corpo passa pelo IML, é fotografado, fichado com informações como, muitas vezes, a de profissão “terrorista”, ou seja, é destacado em relação aos demais mortos por violência, ou acidente, e a tal ficha não foi destruída ao longo de décadas e, ainda, e, finalmente, seu destino foi um cemitério municipal?
A dificuldade de localização para exumação, agora, mais de 40 anos depois, das duas militantes, por exemplo, é evidente: milhares de sepulturas individuais, sem campas, apenas na terra, do humilde e sempre problemático cemitério de Vila Formosa, fundado em 1949, e o de Perus, inaugurado em 1971, também sem campas, criado para abrigar, também, mortos humildes de São Paulo. 
O de Vila Formosa é frequentemente noticiado, geralmente por conta de abandono e descaso do poder público e da própria sociedade. O de Perus foi construído às pressas, sem terraplenagem, como provou a CPI, para agilizar o que pretendia a Operação Bandeirantes (Oban), o sepultamento mais direcionado e mais rápido de “terroristas”. Tudo isso foi demonstrado e provado pela CPI.
Vale registrar: em São Paulo, covas comuns, normais, em cemitérios públicos municipais, abrigam um corpo por três anos, conforme a legislação. Passado esse prazo, é encaminhado a ossários públicos, ou até mesmo incinerado. No caso de Vila Formosa, repleto, o procedimento é comum. Com exceção da quadra 1 de Perus, exumada em massa, que deu origem à Cova Comum, a qual ainda comentaremos, militantes políticos foram localizados na quadra 2, a exemplo de Sonia Moraes Angel e Antonio Carlos Bicalho Lana, em 1991. Vinte anos após sua inauguração, o cemitério de Perus ainda continha áreas livres para sepultamentos, daí o não cumprimento imediato da legislação.
O corpo de Gelson Reicher, por exemplo, foi levado para Perus, com o nome Emiliano Sessa. Ao ver sua foto nos jornais, sua família o resgatou daquele campo santo. Foi sepultado, por fim, no Cemitério Getsemâni. Anos depois, documento do II Exército que mostra a troca proposital de seu nome, aproveitando um documento falso por ele utilizado, foi anexado pela CPI. 
Novamente, pergunta-se em qual país um “desaparecido” recebe tantos registros dentro do aparelho de estado? Lamarca, Marighella, Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, José Eduardo Leite, mortos em circunstâncias bastante diferenciadas, não foram "desaparecidos", e eram líderes. Documentos sobre suas mortes também não "desapareceram" dos registros públicos. Procurados, foram localizados.
Mortos do Movimento Popular de Libertação, o Molipo, ao norte de Goiás, foram sepultados em cemitérios locais, a exemplo de Jeová de Assis Gomes, Arno Press e Rui Viana Berbet. Outra informação importante: às vezes, boa parte da família era envolvida na militância, não poderia, assim, apresentar-se para resgate de corpos no IML. Outras vezes, a tortura tentava impedir a busca imediata. Uma das principais razões era a própria prova apresentada pelo cadáver. Um exemplo é o caso Luís Eduardo da Rocha Merlino, morto sob tortura, resgatado pela família da gaveta do IML com a ajuda de um delegado amigo.
Alguns casos, como o de Maria Augusta Tomáz e Márcio Beck Machado, do Molipo, executados em uma fazenda de Rio Verde, em Goiás, merecem, entretanto, maiores investigações. 

Desvios da atenção da sociedade prejudicam investigações da Justiça

Ao desviar, propositalmente, o assunto “desaparecimento”, esse grupo de direitos “desumanos” patrocina o recontar hipócrita de histórias já investigadas por instituições e parlamentares que trabalharam com seriedade e respeito, como ocorreu com os vereadores da CPI de Perus, da Câmara de São Paulo.
Desvirtuam, dessa forma, a obrigatoriedade do cumprimento de uma das mais belas sentenças da Justiça brasileira, a dos familiares do Araguaia, com petição de 1982.
Mentem a jornalistas recém-chegados ao assunto “regime militar”, evocam um clima emocional fora de hora e de total desrespeito aos verdadeiros familiares. Tentam tirar do noticiário o cumprimento de uma sentença brasileira para que predomine a versão do manipulado processo impetrado por esse “grupo” junto à Corte Internacional da Organização dos Estados Americanos, combatida, à época, por aqueles militantes que morreram na luta, já que a OEA impôs, por duas décadas, severo boicote econômico a Cuba. 
Finalmente, acrescentamos aqui um parênteses: por incrível que possa parecer, há ciúmes e inveja, tanto entre indivíduos desse "grupo", que se reúne com demonstrações de unidade apenas quando lhe convém, como, principalmente, por disputas ainda atuais de “organizações” a que pertenceram, bem como aos militantes ou lideranças que tombaram. As razões diferenciam-se entre origem, e, especialmente, importância e destaque. 
Diga-se de passagem, é bem grandinho o desrespeito com que se referem ao PCdoB ou à guerrilha, usada por esse grupo para inflar o número de "desaparecidos", mesmo que, para isso, mantenham restos mortais em armários de ministros, como já contado e recontado aqui.Felizmente, embora “desaparecidas” na única área em que houve de fato uma guerra essas pessoas, para o desprezo desse grupinho, deixaram histórias, nomes e endereços no local. E, também, sepulturas.  
Um grupo que manipula, por dentro do estado, corpos e papéis para ganhar ações contra o Brasil. Provoca o retardamento do cumprimento da sentença da juíza Solange Salgado, no caso do Araguaia, para tentar, quem sabe, ganhar mais indenizações.
É preciso garantir o respeito aos mortos, suas histórias e reais amigos e familiares. 
O Brasil não avançará, nesse segmento da área de direitos humanos, enquanto a frivolidade e leviandade com o passado forem garantia para repetitivas nomeações em comissões do presente.